"O Série Ouro sempre teve muita força e o preço só tem subido. Trazia como diferenciais a tapeçaria luxuosa, o volante de Gol, o emblema na lateral e o painel com fundo branco. Também tinha faróis de milha e não trazia as faixas laterais", explica o negociante de carros antigos. Foram feitas cerca de 1.500 unidades do Fusca Série Ouro, que utilizava alguns equipamentos diferentes, como o volante da segunda geração do Gol, bancos do Pointer GTI, faróis de neblina, desembaçador traseiro e painel de instrumentos com fundo branco. Quando o presidente Fernando Collor foi deposto, em 1992, seu vice Itamar Franco assumiu o poder. Acontece que Itamar era um grande fã do Fusca, e em janeiro de 1993, logo no começo de seu governo, o presidente se reuniu com os líderes da Autolatina (que era a união da Volkswagen com a Ford e durou até 1996) para trazer o besouro de volta. E para homenagear este momento, vale a pena relembrar como foi essa última fase do carro, que ficou eternizado como “Fusca Itamar”.
O ano do Fusca Itamar, que se refere à produção do modelo Volkswagen Fusca sob a gestão do então presidente Itamar Franco, é um marco importante na história automobilística do Brasil. Entre 1993 e 1996, o Fusca passou por uma revitalização que o trouxe de volta às linhas de produção, após uma década de descontinuidade. Essa fase repleta de significados não apenas representa uma reedição de um clássico amado, mas também reflete um momento ímpar da cultura brasileira, onde a relação entre o automóvel e o cotidiano das pessoas passava por transformações. O Fusca Itamar não era apenas um carro; ele simbolizava resistência e amor por um design que se havia tornado parte da identidade nacional. Sua produção no período se tornou um fenômeno que atraiu tanto nostálgicos quanto novos consumidores, solidificando o lugar do Fusca na história do automóvel no Brasil.
Barulhos e até cheiros nos levam ao passado que, mesmo que o Itamar seja modernizado, manteve do clássico na época. A ficha técnica indica um 0 a 100 km/h em 14,5 segundos, com máxima de 140 km/h, e consumo de 8,1 km/litro na cidade e 10,9 km/litro na estrada, números que eram maiores que os dos populares 1.0, mas que o Fusca dava em troca melhor desempenho. Por isso, após apenas três anos da volta do VW Fusca, a Volkswagen preparou uma série de despedida – agora definitiva – para o carro. Assim surgiu a Série Ouro do Fusca, feita em 1996 para marcar o fim da produção do carro.
Mas ainda há outra versão para a história do Fusca Itamar, a de que o presidente queria agradar a sua ex-namorada Lislie, que era dona de um Fusca 1981. A Volkswagen já possuía a infraestrutura necessária para a produção do Fusca, reduzindo os custos iniciais de produção. As linhas de montagem e os fornecedores já estavam familiarizados com o modelo. Todo o maquinário do Fusca já tinha sido desmontado e parte vendido para indústria de autopeças depois do seu fim em 1986, o que gerou uma movimentação dentro da empresa. O Fusca Itamar é apresentado em 23 de agosto de 1993, meses depois de seus concorrentes, inclusive o próprio Gol 1000. No dia, Itamar Franco usou um Fusca prata, chassi 001, para desfilar pela fábrica de São Bernardo do Campo. A concorrência começou a aproveitar os incentivos, assinados em fevereiro, em abril de 1993, com Fiat Mille, Chevrolet Chevette Junior, Ford Escort Hobby e, dentro da própria VW, o Gol 1000.
A Lei do Carro Popular, que reduzia o IPI para carros populares, beneficiou a produção do Fusca, mesmo ele tendo um motor 1.6. Por isso, quando ele saiu de linha em 1986, com direito a série especial de despedida, ninguém poderia imaginar que o carro voltaria pouco tempo depois. Em 28 de junho de 1996, a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) da Volkswagen produziu os últimos exemplares do besouro. Muito do maquinário do antigo setor, como as prensas, havia sido vendido para fabricantes de peças de reposição e o jeito foi comprar destes mesmo fabricantes as partes que iriam compor o novo modelo. Ao lembrar de CarroSP fusca novo , Müller explica que a menção é válida, mas que em sua época, a ideia não tinha o mesmo apelo do carro popular, como foi no governo de Itamar Franco. O ano de 1994 ficou marcado pela entrada de carros importados aqui no Brasil, sem contar com diferentes lançamentos importantes para o mercado de automóveis.
A Produção e o Lançamento do Fusca Itamar
O retorno do Fusca ao mercado em 1993 foi resultado de uma decisão estratégica da Volkswagen do Brasil, que buscava revitalizar a produção nacional e atender a um nicho de consumidores que ainda clamavam por esse modelo icônico. O carro manteve as características que o tornaram famoso: design arredondado, motor traseiro e uma estética que agrada aos olhos. A produção foi instalada na fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo, onde o carro passou a ser montado novamente. Com um apelo nostálgico forte, o Fusca Itamar rapidamente se tornou um sucesso de vendas.
Principais Características do Fusca Itamar
O Fusca Itamar foi reproduzido com algumas inovações que garantiram mais conforto e eficiência ao modelo. Entre as principais características, estava o motor a ar de 1.6 litros, que proporcionava uma experiência de condução levemente mais moderna sem perder o charme vintage. Além disso, o Fusca foi oferecido em várias cores vibrantes, atraindo um público variado. O interior do carro passou a contar com melhorias, como bancos mais confortáveis e um painel atualizado, enquanto se respeitavam as linhas clássicas que tornaram o Fusca um ícone automobilístico.
A Recepção do Público
A recepção do público ao Fusca Itamar foi fenomenal. A mistura de nostalgia com a redescoberta do modelo por novas gerações fez com que ele se tornasse um verdadeiro objeto de culto. O carro não apenas revivia memórias de uma época, mas também conquistava novos admiradores que buscavam um veículo com um toque de personalidade. A publicidade do modelo destacou o seu estilo único e sua história, tornando-se um dos maiores sucessos de vendas da Volkswagen na época, e sustentando uma produção que durou até 1996.
A Decadência e o Legado do Fusca Itamar
Apesar do sucesso inicial, a produção do Fusca Itamar foi descontinuada em 1996, quando a Volkswagen decidiu focar em modelos mais modernos e eficientes, como o Gol e o Polo. Contudo, o legado do Fusca Itamar permanece vivo. Ele se tornou um símbolo da cultura automobilística brasileira e, até hoje, é objeto de paixão entre colecionadores e entusiastas. Eventos de carro antigo frequentemente apresentam o Fusca como uma das estrelas, e sua presença em filmes e mídias sociais solidifica ainda mais seu status icônico. A produção do Fusca Itamar é uma lembrança persistente de um período em que o carro não era apenas um meio de transporte, mas um verdadeiro símbolo de liberdade e identidade nacional.
Conclusão
O ano do Fusca Itamar representa um capítulo significativo na evolução do automobilismo no Brasil. O resgate desse clássico, aliado às inovações que homenageavam sua história, trouxe à tona uma série de emoções e memórias para as pessoas. Esta fase do Fusca influenciou não apenas a indústria automobilística, mas também a cultura geral brasileira, provando que certas coisas nunca perdem seu valor, mesmo diante das mudanças constantes que o mundo apresenta. O Fusca permanece como um ícone atemporal, reafirmando a importância de se conectar com o passado enquanto se avança para o futuro.
História do Fusca Itamar
O Fusca Itamar, uma versão especial do clássico Volkswagen Fusca, foi lançado em 1993 e ficou em produção até 1996. Este modelo recebeu seu nome em homenagem ao ex-presidente do Brasil, Itamar Franco, que teve um papel crucial na revitalização da indústria automobilística no país durante a década de 90. A produção do Fusca Itamar foi uma tentativa de resgatar o legado do Fusca, que, apesar de ser um ícone, enfrentava desafios devido à concorrência de veículos mais modernos.
Design e Características
O design do Fusca Itamar mantém muitos elementos tradicionais do Fusca, mas apresentou algumas atualizações que o tornaram mais atraente para a nova geração. As principais características incluem um interior mais confortável, um painel com linhas mais contemporâneas e faróis dianteiros com um visual mais robusto. A adição de cromados e novas opções de cores ajudou a modernizar a estética do veículo, mantendo suas raízes.
Motorização e Desempenho
O Fusca Itamar trazia um motor refrigerado a ar com potência de aproximadamente 1.600 cc. Essa motorização permitiu que o veículo alcançasse uma desempenho adequado para as necessidades urbanas da época. A combinação de leveza e simplicidade no design do motor contribuiu para uma excelente economia de combustível, um dos aspectos mais valorizados pelos consumidores nos anos 90.
Legado e Cultura Popular
Embora a produção do Fusca Itamar tenha sido breve, seu legado é profundo. O modelo é considerado um símbolo da resistência do Fusca no mercado brasileiro e conquistou o coração de muitos entusiastas. O Fusca, em geral, é frequentemente retratado em filmes e séries, reforçando seu status como um ícone cultural que atravessou gerações. Eventos de vintage e encontros de automóveis frequentemente incluem o Fusca Itamar como um dos destaques.
O Fusca Itamar na Atualidade
Atualmente, o Fusca Itamar possui uma legião de fãs e colecionadores que valorizam não apenas sua história, mas também a sua raridade. Modelos bem conservados podem ser encontrados em exposições e leilões, com preços que variam significativamente, dependendo do estado de conservação e da originalidade das peças. Restauradores dedicam-se a manter sua essência, o que garante que esse clássico brasileiro continue a rodar nas ruas.
Conclusão: Um Clássico que Nunca Sai de Moda

O Fusca Itamar é muito mais do que um carro; ele representa um período de transição na indústria automobilística brasileira e a força da tradição em um mundo em constante mudança. Com seu design icônico e seu lugar na cultura popular, o Fusca Itamar continuará a ser lembrado e apreciado pelas futuras gerações. Assim, este modelo especial não apenas conta uma história, mas também mantém viva a memória de um dos automóveis mais amados do Brasil.